
🇪🇺 A MiCA está transformando cada vez mais o mercado europeu de criptomoedas. Uma das vítimas mais visíveis das novas regulamentações é o USDT, que está desaparecendo gradualmente de algumas plataformas regulamentadas que operam na Europa.
Seria de se esperar, portanto, que a maior stablecoin do mundo começasse a perder usuários, liquidez e importância.
Só que… por enquanto, nada disso está acontecendo. 👀
Os dados citados pela Cointelegraph Magazine revelam algo muito mais interessante: a Europa pode estar restringindo o acesso ao USDT por meio de plataformas regulamentadas, mas a demanda global pelo dólar digital da Tether continua extremamente resistente.
As regulamentações relativas às stablecoins no âmbito da Diretiva sobre Mercados de Criptoativos (MiCA) foram implementadas em etapas a partir de 2024. O término do período de transição em 1º de julho de 2026 aumentou a pressão sobre as plataformas europeias de criptomoedas.
Os resultados já são visíveis.
A Revolut informou aos usuários europeus que o USDT será retirado de circulação após 31 de agosto de 2026. Anteriormente, outras plataformas que atendem clientes do Espaço Econômico Europeu também haviam imposto restrições ao Tether.
À primeira vista, isso parece ser um problema sério para o USDT.
📉 Menos plataformas regulamentadas que oferecem tokens.
🇪🇺 Acesso restrito para alguns clientes europeus.
⚖️ Pressão regulatória crescente.
No entanto, os dados globais não indicam uma queda.
De acordo com dados da Artemis Analytics, a entrada do MiCA na próxima fase não causou uma queda perceptível na oferta nem na demanda por USDT.
Também não se observa uma migração repentina de usuários entre blockchains que pudesse ser diretamente associada às regulamentações europeias.
Isso leva a uma conclusão interessante:
👉 A Europa é um importante mercado de criptomoedas, mas não representa todo o mercado de criptomoedas.
Hoje, o USDT opera em um ecossistema global que abrange a América Latina, a Ásia, a África e outras regiões, nas quais as stablecoins, cada vez mais, não são mais apenas uma ferramenta para traders.
Elas estão se tornando parte da infraestrutura financeira cotidiana.
Ainda há alguns anos, o uso típico de uma stablecoin era simples:
Bitcoin → USDT → espera → nova compra de criptomoeda.
Hoje, esse esquema é definitivamente simples demais.
As stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas para:
💸 pagamentos,
🌎 transferências internacionais,
💱 câmbio de moedas,
🏦 guarda de poupanças em dólares digitais,
🤝 transações entre usuários e empresas,
📲 uso de serviços financeiros fora do sistema bancário tradicional.
A Argentina é um ótimo exemplo.
Em 2025, a plataforma Lemon registrou um volume de transações de cerca de 9,3 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 60% em relação ao ano anterior. O número de usuários ativos em transações cresceu 70%, chegando a quase 1,8 milhão de pessoas, e o volume de stablecoins aumentou 45% em relação ao ano anterior.
Curiosamente, isso está ocorrendo apesar da flexibilização de algumas restrições ao acesso dos argentinos ao dólar tradicional.
Esse é um sinal importante.
As stablecoins não precisam mais ser apenas um substituto do dólar em países com restrições cambiais. Para alguns usuários, elas estão se tornando simplesmente uma forma prática de transferir e utilizar dinheiro.
A situação fica ainda mais interessante quando analisamos as blockchains utilizadas para a transferência de stablecoins.
De acordo com a Artemis, o número de usuários diários da BNB Smart Chain aumentou de cerca de 318 mil em junho de 2024 para cerca de 1,56 milhão em julho de 2026.
Na TRON, o número de usuários diários aumentou nesse período em cerca de 44%, chegando a 908 mil.
Por que justamente essas redes?
A resposta é bem prática: custos e conveniência. ⚡
Se uma stablecoin é usada para transferências reais de dinheiro, o usuário não se interessa necessariamente pelo debate ideológico sobre uma blockchain específica. Ele quer enviar fundos de forma rápida, barata e para um local onde o destinatário possa recebê-los facilmente.
E é exatamente por isso que o efeito de rede do USDT é tão difícil de ser quebrado.
A stablecoin é útil não apenas porque representa o dólar.
É útil principalmente quando outras pessoas também querem tomá-lo.
Esse é um efeito de rede clássico.
Quanto mais bolsas, carteiras, casas de câmbio, protocolos DeFi, empresas e usuários comuns utilizam um determinado ativo, mais difícil fica substituí-lo por outra coisa.
O USDT tem uma enorme vantagem nesse aspecto.
🌍 é reconhecido mundialmente,
💧 possui enorme liquidez,
🔗 opera em várias blockchains,
🤝 é aceito por um grande número de participantes do mercado.
Por isso, as regulamentações europeias podem alterar o caminho que leva ao USDT, mas não necessariamente a própria demanda global por ele.
Isso é particularmente importante do ponto de vista do usuário.
O acesso às criptomoedas não precisa significar necessariamente o uso de uma bolsa online clássica e centralizada.
O USDT também está disponível nos Bitomats Bitomat.com, e uma vantagem adicional é a possibilidade de usá-lo em várias redes de blockchain compatíveis. 🔗💵
Com isso, o usuário pode escolher a rede de acordo com seu orçamento, os custos de transferência ou a forma como pretende utilizar as stablecoins posteriormente.
Isso reflete uma mudança mais ampla que está ocorrendo no mercado: as criptomoedas estão, cada vez mais, operando por meio de diversos canais de acesso — bolsas, carteiras, DeFi, aplicativos financeiros e físicos caixas bitcoin.
A regulamentação de um único canal não significa, automaticamente, o desaparecimento de todo o ecossistema.
A MiCA, por sua vez, pode acelerar o desenvolvimento de algo que, ao longo dos anos, permaneceu à margem do mercado de criptomoedas:
stablecoins denominadas em euros. 🇪🇺💶
Do ponto de vista de um usuário europeu, elas fazem bastante sentido.
Se você ganha, gasta e declara seus impostos em euros, o uso de uma stablecoin em dólares acarreta uma exposição adicional à taxa de câmbio EUR/USD.
Uma stablecoin em euros pode reduzir essa complicação.
O interesse por essas soluções deve crescer, especialmente entre os clientes institucionais.
O problema, porém, é fundamental.
O Bitcoin pode ser global. A blockchain pode não conhecer fronteiras. O DeFi pode funcionar 24 horas por dia.
Mas o mundo das criptomoedas ainda avalia praticamente tudo em dólares.
O trader analisa o BTC/USD.
O investidor verifica a capitalização em dólares americanos.
As stablecoins atreladas ao dólar dominam os pares de negociação.
As transações internacionais também costumam ser feitas em dólares.
A MiCA pode, portanto, aumentar a participação das stablecoins em euros na Europa, mas mudar o padrão global de liquidação será muito mais difícil.
E é justamente aqui que a situação fica mais interessante.
As regulamentações europeias estão, de fato, transformando o mercado. Não faz sentido minimizar isso. Para o usuário comum, o acesso a determinadas stablecoins por meio de plataformas regulamentadas pode se tornar mais difícil.
Ao mesmo tempo, os dados disponíveis até o momento sugerem que a MiCA altera mais a forma de acesso ao USDT do que a necessidade global de utilizar o dólar digital.
É uma diferença enorme.
As stablecoins percorreram um longo caminho: de uma ferramenta que permitia aos traders aguardar o fim das quedas do Bitcoin até se tornarem uma infraestrutura utilizada para transferir bilhões de dólares entre pessoas, empresas e países.
A Europa está tentando organizar esse mercado.
🌎 Enquanto isso, o resto do mundo continua a desenvolvê-lo.
E o USDT — pelo menos por enquanto — mostra que uma restrição regulatória ao acesso em uma região não significa necessariamente a perda de posição global.
Talvez o maior vencedor de toda essa confusão não seja, portanto, nem a Tether nem seus concorrentes europeus.
Pode ser a própria stablecoin como tecnologia. 💵🔗🚀